A disputa sobre a autenticidade de um vídeo deixou de ser exceção e passou a integrar o cotidiano do foro. Gravações de câmeras urbanas, provas em ações cíveis, depoimentos e materiais de investigação chegam ao processo já reprocessados por aplicativos, redes sociais e editores. A pergunta que o operador do Direito precisa responder é objetiva: este arquivo preserva sua matriz original, ou foi editado após a captação?
O ChronosVision, módulo de Auditoria Forense de Vídeo da Byten, foi construído para apoiar essa resposta com método, transparência e rastreabilidade. Não substitui o perito: instrumenta o exame, reduz a subjetividade da avaliação a olho nu e documenta cada achado de forma reproduzível, em conformidade com as diretrizes ISO/IEC 27037 e 27042 e com o art. 158 do Código de Processo Penal.
1. Processamento local (zero-upload)
Toda a análise ocorre dentro do navegador do próprio examinador, em ambiente isolado (WebAssembly/WebWorker). A mídia não é enviada para servidores externos, o que preserva o sigilo da evidência e a cadeia de custódia desde o primeiro contato.
2. Leitura da estrutura interna (ISOBMFF)
O motor percorre a árvore de átomos do arquivo MP4/QuickTime e identifica vestígios de edição local ou de recodificação por terceiros, incluindo a distinção entre uma captura nativa de câmera e um arquivo reconstruído por download da web (FastStart), sem gerar falso positivo em gravações legítimas de smartphone.
3. Impressão da ferramenta de origem (DFTF)
A partir dos metadados estruturais (brands do container, perfil e nível H.264, topologia do átomo moov e data de mux), o sistema estima a ferramenta que produziu o arquivo, por exemplo, distinguindo uma captura Apple/iOS de um remux por FFmpeg, com percentual de correspondência documentado.
4. Robustez estatística do modelo (DCTA)
A inferência algorítmica é reexecutada sobre doze variações controladas da imagem (ruído, contraste, brilho, rotação, escala, recorte). O resultado é apresentado com intervalo de confiança de 95%, respondendo com antecedência ao questionamento de "número sem fundamentação estatística". Quando o modelo se mostra sensível a alguma condição, isso é reportado com transparência, não ocultado.
5. Continuidade cinemática (OPCF) e contexto ambiental (GCAH)
A análise de fluxo óptico avalia se o movimento entre quadros é fisicamente contínuo, sinalizando cortes ou emendas suaves. Quando o arquivo conserva coordenadas de GPS e horário de captura, o sistema calcula a posição do sol por efeméride astronômica e a confronta com a iluminação observada na cena.
6. Síntese para decisão
Todos esses sinais independentes convergem em um Painel de Síntese, em linguagem acessível a não peritos: um veredito objetivo ("X de Y indicadores independentes apontam edição"), um semáforo por indicador e ressalvas explícitas. A convergência de evidências independentes é o que reduz a probabilidade de coincidência, e o que sustenta a fundamentação perante o juízo.
7. Cadeia de custódia e selo criptográfico
Cada exame gera uma raiz de Merkle (SHA-256) da evidência e uma assinatura digital ECDSA P-256 do Parecer Técnico. O documento final, em PDF e HTML, reúne a fixação, os metadados, as análises complementares, a síntese e a assinatura, pronto para instrução processual.
O ChronosVision não transforma suspeita em certeza automática. Ele organiza a técnica a favor da verdade dos autos, documenta o caminho percorrido e devolve ao magistrado, ao advogado e ao delegado uma leitura clara, sempre integrada ao contexto probatório e à indispensável perícia humana.